A pacificação implantada na favela da Rocinha foi um programa novo elaborado pela Secretaria de Estado de Segurança e que tem tido resultado positivo através das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) que aproxima a polícia da população e implanta programas sociais nas comunidades antes negligenciadas.
Foram quatro licenças obtidas pela que eu pudesse correr e gravar dentro da Favela, junto também ao acompanhamento de um corredor e morador da Rocinha para demonstrar qual era o percurso mais seguro, difícil e bonito até atingir a cima desta “montanha” singular. Parte desta subida é feita pelos moradores da Rocinha, mas não a pé. Hoje são inúmeros “moto-taxis” que trabalham ali. Cada moto-boy faz em média 70 viagens diárias, levando as pessoas da base até suas casas no alto do morro da Rocinha.
Eu larguei correndo da base da favela, subindo pela rua principal, passando por ruelas, escadarias e becos até atingir o alto do Pico da Dionésia coberta pela mata atlântica. Desde o Pico da Dionésia, desci em direção à base da UPP (Unidade Policial de Pacificação) subindo novamente pela rua principal da Rocinha finalizando esta “vertical climb” na cima mais famosa, o Pico do Visual. No total foram 4,2 km mais 400m de desnível positivos desde o nível do mar num tempo de 25’08’’min. A rua principal da favela estava bem tumultuada por serem dias de Carnaval no Rio de Janeiro. Muitos carros, moradores e policiais transitavam pelo local. Visitei crianças e dei uma “aula”, brincando de como correr em subidas.
Hoje existem duas provas organizadas dentro da favela, uma de mountain bike com a ajuda da fiscalização do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e outra de 10 km de corrida de rua. Estes são alguns dos trabalhos que com a implantação das UPP’s o governo ajuda a proporcionar.
Na minha opinião, esta estabilização da comunidade e a ocupação definitiva das UPP’s dentro da favela contra a criminalidade deveria ter acontecido há mais de 100 anos atrás. Pois a segurança pública é o tema de maior importância a ser tratado hoje no Rio. Uma bala de fuzil chega a alcançar cinco mil quilômetros de distância, o desarmamento foi o maior êxito dentro da Favela da Rocinha. Porém o mesmo eu não posso dizer “fora” da favela em relação à ocorrência de pequenos furtos. Um dia após meu projeto na Rocinha, quando caminhava com mais duas amigas pela praia do Leblon no Rio de Janeiro, vivenciei uma péssima experiência. Duas crianças delinqüentes e um rapaz de 19 anos tentaram furtar o colar de ouro de uma das minhas amigas. Corremos até o topo da duna onde havia uma fiscalização policial e corremos novamente junto aos policiais até a beira da praia e conseguimos resgatar um dos bandidos que estava tentando fugir pelo mar com o colar da minha amiga.
Segundo especialistas a criminalidade está em todos os lugares do mundo, Paris, Barcelona, Hong Kong, África do Sul, Miami, Chicago... Chicago é uma das cidades mais violentas do mundo, porém não divulgada pelos Estados Unidos. Cada local com seus problemas de segurança que devem ser tratados pelo governo.
O governo do Rio de Janeiro tem trabalhado severamente nesta evolução e promete pacificar mais 40 favelas até a Copa do Mundo em 2014 e outras 60 mais até as Olimpíadas de 2016. O governo e a população acreditam neste processo. Aos poucos a melhoria acontece e é exemplo para outros estados brasileiros e cidades ao redor do mundo.
Estou muito feliz em ter vivido esta experiência e saber que seja no futebol, na capoeira ou na corrida, as crianças hoje tem a oportunidade de trabalhar ou praticar esporte dentro da favela, bem diferente de antes, que cresciam focadas no comércio de drogas ou armas de fogo.
Fiquei muito feliz com esta experiência. Vejo que hoje as crianças podem brincar ou trabalhar com o esporte, seja futebol, capoeira ou corrida. Diferente de antes, que o focu era apenas drogas e brincar com armas.















